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DEPOIMENTOS
Luiz
Paulo
Chamo-me
Luiz Paulo, fiz o transplante pulmonar no dia 17 de Maio de
2004, e tenho como doença de base a Bronquiectasias (Infecções
Repetitivas) por falta de imunidade no organismo, doença
hereditária por parte de pai. Minha vida antes do transplante
era muito limitada, pois eu tinha falta de ar continua, tossia
muito, fazia inalações com bronco dilatador e tomava remédios
constantemente para evitar as infecções, por sorte tive apenas
uma internação em decorrência de uma infecção maior. Fui
encaminhado para a lista do transplante em Outubro de 2003,
após realizar todos os exames necessários e passar pela equipe
de profissionais diversos dentro do INCOR, pois meu quadro
médico já era bem grave.
Esperei
na fila por 07 (sete) meses até a cirurgia e sei que este
tempo é bem variável, pois dependem vários fatores de
compatibilidade e por mais que se fique ansioso a esperar por
uma ligação dos médicos, é necessário paciência para aguardar
a sua vez.
Fui
chamado num Domingo à noite por volta das 19:00 horas, fiquei
aguardando uma segunda ligação para confirmar, pois tinham 02
(dois) com as mesmas características físicas na fila e para
quem os pulmões serviriam (no caso eu seria o segundo), porém
como não conseguiram entrar em contato com a outra pessoa que
também esperava pelo transplante pelos telefones que foram
fornecidos por ele, acabou por fim chegando a minha vez.
Estava morando com minha irmã num bairro um pouco mais
afastado (Parelheiros) e levaria um tempo bem maior que o
determinado pelo médico na ligação DR. Samano, me lembro que
ele disse que tinha aproximadamente uns 40 (quarenta) minutos
para chegar lá e pelos meus cálculos não chegaria em menos que
01(uma) e 30 (minutos), pois na região para quem conhece
existem várias chácaras e sítios onde as pessoas passam os
finais de semana e nesse horário estão todos voltando de lá
por uma estrada que não era lá grande coisa como a maioria que
temos em São
Paulo, ou seja, estava tudo congestionado por
carros e ônibus. E com certeza não conseguiria chegar nem
mesmo no tempo que imaginei, mesmo indo de carro com um
vizinho que por sorte minha estava em casa e se dispôs a
levar-me, então no meio do caminho ele lembrou-se de um
Batalhão do Corpo de Bombeiros numa avenida próxima e
resolvemos pedir ajuda lá. Após alguns minutos de espera por
fim conseguimos que me levassem em um carro de resgate deles,
o que foi de enorme ajuda e que certamente não teria
conseguido chegar a tempo se não fosse pela ajuda
deles.
Cheguei no Incor por volta das 20:10 horas e
logo subi para o quarto para ser preparado e em seguida
encaminhado para a tão esperada cirurgia que durou 11 (onze)
horas segundo fiquei sabendo depois, enfim ficaria “livre” do
oxigênio que usei por 02 (dois) anos e que me mantinha
“aprisionado” em casa e me impedia de fazer tantas coisas
simples como ir ao banco, ao shopping, passear ou mesmo
viajar, isso então era impossível. Quando acordei já era
segunda-feira por voltas das 17:00 horas, estava na UTI, tinha
acabado de ser “desentubado”, estava com sede, ainda meio
sonolento estava recebendo as primeiras visitas e vendo
novamente pessoas conhecidas, então tive certeza que tudo
tinha corrido bem na cirurgia e começaria aos poucos a retomar
a minha vida normal de antes.
Hoje minha vida é muito
melhor do que a 03 (três) anos e meio atrás, quando ainda
usava oxigênio e poucas coisas podia fazer a não ser contar
com a boa vontade das pessoas que me cercavam e na medida do
possível faziam de tudo para me fazer o que fosse preciso.
Hoje sem falta de ar, canseira, e com muita disposição faço
tudo o que deixei de fazer e estou tentando conhecer lugares
que antes não tive chance ou não dava importância e vejo o
quanto deixei de aproveitar a vida.
Gostaria de dizer a
todos os que estão na espera de um transplante, principalmente
um transplante pulmonar que vocês poderão ver e sentir uma
melhora na qualidade de vida surpreendente, e que vale muito a
pena, pois temos uma equipe excelente de profissionais em
todas as áreas, as técnicas de cirurgia, equipamentos e
medicações tem evoluído constantemente ao longo desses
anos.
Quando aguardamos por um transplante e dependemos
do oxigênio para respirar, acabamos por ficar “viciado e
dependente” daqueles enormes botijões, aprendemos de uma
maneira muito difícil a valorizar pequenas coisas como o
simples fato de poder respirar sem depender de botijões ou
concentradores. E quando recuperamos essa capacidade, vemos
que a vida é feita de coisas bem simples, mas fundamentais
demais para vivermos.
Quero agradecer a DEUS, a Família
do Doador, a Todos da Equipe de Multiprofissionais do INCOR,
aos Homens do Corpo de Bombeiros, aos meus familiares, amigos,
etc... Deus abençoe a todos vocês!!!
Um
Abraço a todos do Luiz.
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